O Começo da História

A estrutura básica de uma autobiografia geralmente inclui uma apresentação, a descrição dos fatos que compõem a história e uma parte final.

Não vou me apresentar por uma questão de privacidade, mas a descrição dos fatos que compõem a história são verdadeiros, e sobre o final, espero que eu consiga chegar o mais longe possível.

A história vai estar separada por capítulos, assim, ficará mais fácil para os interessados acompanharem a história, ficará claro no decorrer da exposição dos fatos que trata-se de um filme da vida real.

Num dia qualquer do ano de 1960 um casal de jovens se encontram numa festa de igreja numa cidadezinha do interior,

No interior, dia de domingo é um dia especial, é dia de colocar a chamada roupa da missa, e depois da missa, geralmente há alguma atividade para que o pessoal coloque as conversas em dia.

Colocar as conversas em dia, hoje significa fazer fofoca, mas naquela época, colocar as conversas em dia significava falar sobre emprestar dinheiro para pagar no ano seguinte a juros baixíssimos, falar sobre plantações, sementes, troca de animais e comprar ou vender coisas.

E, foi num desses domingos especiais que meu pai e minha mãe se conheceram, obviamente que não sei de detalhes sobre a vida que cada um deles levava naquela época, mas sei que os dois eram de famílias pobres, um par perfeito para juntar a fome com a vontade de comer.

Sei que minha mãe morava com os pais e trabalhava na roça deles, meu pai era uma espécie de diarista daquela época, não diarista para cuidar das coisas de uma casa, naquele tempo, diarista queria dizer que a pessoa trabalhava um dia por um valor fixo.

Sem carteira assinada, sem direitos trabalhistas ou nada parecido, se trabalhasse comia e se não trabalhasse até comia em algum lugar, mas acabava ficando devendo favores.

Como a maioria das jovens que se iludem com um casamento na perspectiva de obter liberdade, minha mãe achou que sairia do comando do pai dela se casando, por isso, o casamento era o objetivo.

Por outro lado, meu pai, talvez não estivesse muito interessado num casamento, mas quando um casal que namora e certos atos, limites e cuidados não são observados, as consequências acabam por aparecer.

E, desde que o mundo é mundo, homem que é homem tem que assumir suas atitudes, seja por livre espontânea vontade ou por imposição de terceiros.

E assim, meu pai e minha mãe se casaram ainda em 1960, mesmo porque uma mãe solteira naquela época era algo vergonhoso para uma mulher e para um pai que não assumisse o filho era como uma sentença para ficar mal visto e nem sequer conseguir arrumar trabalho.

Desde a antiguidade a sociedade dita as regras, ou se enquadra ou é mal visto e sofre consequências.